10 de março de 2010

milagres da última semana

estou sem computador e sem internetsy para fins laborais, dependo do quiridume alheio pra cumprir prazos de clientes que querem a minha cabeça exposta na saldanha marinho. mas eu prometo a todos eles que isso tudo vai terminar já!


- consegui um apartamento que tem, inclusive, liquidificador. a sala tem estruturas gregas e no meu quarto do primeiro mês vai ter uma cama super king plus size e, pasmem: per-si-a-nas!
- o meu colega mark, dono das redes de cinema cinemark, narcotraficante colombiano e desenhador gráfico nas horas vagas, vai trazer meu computador-bebê-mac-arredondadinho na segunda!! =D
- ganhei um aumento no trabaio! \o/

voyla, fechar as malas porque amanhã me encosto em novos travesseiros :)

4 de março de 2010

[SÓ QUEM AMOU DEVERDADE SABE ESCREVER]

Tenho Tanto Sentimento!
Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
[Fernando Pessoa]

28 de fevereiro de 2010

Domingo

Somamos 17 garrafas de vinho entre um domingo e outro e um (dois) punhado de momentos bonitos. As pessoas são incríveis. Soube da cor dos olhos. Acho que exagerei. É que eu só precisava me jogar em uma causa - e ganhar. Agora deu, não tem mais graça. Era aquela coisa de voltar a insitir sem fé nenhuma, lembra? Então, se rolar o cineminha na quarta, rolou. Voltei a olhar pra dentro. Beijos,

Sábado

Acabou.

26 de fevereiro de 2010

Sexta

Toda a saudade de amanhã a gente inventou ontem.

Quinta

Parte 1

Deseperada. Ele me deixou desesperada. As mãos geladas e uma tremedeira imensa. O céu enjoado de tão azul. Taquicardia. O dia mais bonito do mundo.

Parte 2
As mãos dadas e o nada.

Parte 3
Fuera de mí, en el espacio, errante,
la música doliente de un vals;
en mí, profundamente en mi ser,
la música doliente de tu cuerpo;
y en todo, viviendo el instante de todas las cosas,
la música de la noche iluminada.
El ritmo de tu cuerpo en mi cuerpo...
El giro suave del vals lejano, indeciso...
Mis ojos bebiendo tus ojos, tu rostro.
Y el deseo de llorar que viene de todas las cosas.
(Vinicius de Moraes)

24 de fevereiro de 2010

Quarta

Aconteceu que quando olhava para dentro de mim fui interrompida.

Ele estava assustado: um adulto frágil e assustado. Sentou-se aos meus pés. Tentei voltar-me outra vez mas foi impossível: seu corpo de homem adulto e assustado disposto a arrancar minha indiferença, seus olhos que ainda não sei definir a cor - e talvez nunca precise definir - dispostos a arrancar minha segurança. Sim! Ao final gritei que só queria que me levassem pela mão, aonde fosse, que já não me importava nada, que éramos ridículos e que ele era o mais ridículo de todos. Respiramos. Eu, pelo menos, respirei. Tenho consciência de que tudo isso que estamos vivendo deixará de existir em breve. Talvez tenha deixado de existir neste exato momento: sentado os meus pés com os olhos cuja cor não sei definir disse que sabia mentir. De aí parou-se e, pela primeira vez, me abraçou. Não pude sentir seu cheiro nem dizer que neste momento era absolutamente evidente que minha vida dependia unicamente dele. Lembrei de abandonar qualquer pergunta e me ocorreu uma intenção de adiar o silêncio. Eu gritaria, gritaria que era um martírio e que não era justo, que não podia, que não devíamos depender unicamente de outra pessoa para viver mas que naquele exato momento era tudo o que eu queria e era tudo o que eu precisava e sabia que ele também precisava imediatamente disso e que embora fossemos profundamente desconhecidos nunca tinha podido ver com tamanha transparência no meio da escuridão.
Outra vez não sei como encontrá-lo. Poderei viver milhares de séculos sem saber. Mas observem vocês: eu não aspirava nada e uma coisa assim de preciosa alvoroçou minha vida inteira. Tudo igual entre nós. Estou convencida de que olhar para dentro de mim não será, outra vez, possível.

23 de fevereiro de 2010

Terça


Hoje não o vi. Soube dele, por aqui, por ali. Mas não o vi. O dia foi mais pesado, começou num cinza amarelado e terminou amarelo avermelhado. Meio fresquinho ainda, pesado. Esqueci o dinheiro em casa e tive de me alimentar com a máquina de doces: iogurte, bolacha e iogurte. Depois do trabalho comi carne. Depois de um bom tempo sem carne. Tanto tempo. Um mês? Me preocupa o fato de ter dez dias para sair deste apartamento e não estar encontrando um novo. Me preocupam outras coisas também. Se ele estivesse aqui, certamente eu estaria rindo e tudo seria mais leve. Estaríamos rindo de qualquer realidade inventada. Mas ele não está e eu não sei onde encontrá-lo. Deveria estar angustiada. Estranho é que não estou. Não tenho o controle da situação e estou tranquila :)

22 de fevereiro de 2010

Segunda

Ando com uma felicidade quase insuportável: sem teto, sem grana e sem tempo. Exagerada a minha felicidade. Neste exato momento sou capaz de esquecer tudo para tomar mais um copo de vinho e ouvir essas coisas que ele diz e eu não entendo, mas são tão bonitas.

21 de fevereiro de 2010

Domingo

fiquei com uma vontade enorme de te convidar para passear, andar nas bicicletas para duas pessoas e dividir um copo de suco com dois canudos. ou de deitar na sacada e conversar sobre qualquer coisa despretenciosa, de não te saber inteiro, de não me revelar, de conversar sobre as velhinhas que passam com seus penteados curiosos. só queria passar mais tempo contigo, de não te perder, de não deixar um intervalo muito grande. mas sem compromisso nenhum, tipassim:brincar de sério e pedra-papel-tesoura. qualquer coisa para apenas te ter por perto. mas fiquei com vergonha.

es lo que hay

nadie dijo que hiba a ser facil. ayer era más temprano. la vida es injusta. hoy es más tarde que ayer. nadie dijo que hiba a ser facil. eso es lo que hay, nena. sabés qué, pelotudo, no puedo seguir mirando un minuto más a un infeliz cómo vos. eres más pelotudo que las palomas. andá a la recalcada concha de tu abuela, hijo de remil putas.


-
e como num ritual sadomasoquista, se entrega a tudo o que é amargo e impossível, buscando um grande argumento.

15 de fevereiro de 2010

pirulitos voadores


suave...
ele diz.

suáááve..!
concordo imediatamente e rio. rio alto.

meu,ele diz.
meo, repito e argumento quase chamando a porra de bagaça. e rio. rio porque tenho vontade.

meu, o meu lado esquerdo é podre.
meo, tenho menos cabelo do lado direito.
meu, minha barriga dói. porque eu rio. rio alto...

suave...suaves os toques dos dedos buscando a pele,
suaves as palavras que nascem, n a t u r a l e d e s p r e t e n c i o s a m e n t e sem fazer parte de nenhum dicionário. de nenhum espaço.